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16/02/2012

Os louros da vitória!

Foto: Helena Chiarello - arquivo pessoal
           
           Foi em dezembro. Decididamente.

         Mas não foi uma coisa assim, impensada. Depois de uma verdadeira maratona por pelo menos uma dúzia de salões de cabeleireiros nessa cidade, e experiências não muito bem sucedidas que me fizeram sentir vontade de sair gritando de cada um deles, eu decidi. Vou deixar o cabelo crescer.

       Explico: não é que eu seja assim tão exigente! Acontece que depois de pelo menos uns 10 anos usando o mesmo corte, realizado de forma incrivelmente habilidosa pela mesma pessoa (que já sabia até para que lado os fios pretendiam arrepiar), eu mudei de cidade. E toda mudança implica em adaptações. Ou, pelo menos, na esperança de que elas aconteçam.

       É uma pena que a gente não possa trazer na bagagem algumas coisas que são habituais e fazem tanto bem ao ego, como por exemplo, uma cabeleireira com mãos e tesouras mágicas! E era isso mesmo. Entrava no salão, nem precisava dizer o que pretendia. Uns tique-tiques aqui e ali e pronto! Saía com aquele cabelo curtinho e bonito que, com um pouquinho de gel estrategicamente aplicado, ficava à prova de chuvas e ventanias. E o melhor, pronto pra qualquer evento ou situação, sem nenhum estresse!

       Pensando em manter a praticidade e o estilo, lá fui eu, seguindo as dicas de quem já conhecia a cidade, procurar um salão que conseguisse fazer o corte (o mesmo, apenas o mesmo!) que sempre deu jeito nesses cabelos tão desgovernadamente crespos desde que nasci!

      A primeira vez, deu medo. Aquela tesoura afiadíssima investia em minhas madeixas sem dó nem piedade! E por mais que eu tentasse (educadamente, mas de olhos arregalados e quase protegendo a cabeça com as mãos) orientar a pessoa que a portava para que não radicalizasse demais, não deu outra! Saí do salão com cara de "milico" logo depois do alistamento militar ou recém incorporado ao exército. Um verdadeiro desastre!

       As demais tentativas não foram muito diferentes, nem mais felizes. Nesses dois anos de blumenauense, já experimentei (involuntariamente) de tudo: estilos "escovinha", "ovelhinha desgarrada", "anos 60 em franca decadência", "punk rock", "quase moicano", "faça você mesmo", "meu deus do céu", "mas que droga é essa", etc., etc.

       Ainda bem que cabelo cresce. Demora pacas, mas cresce. Esse foi, por várias vezes seguidas, meu consolo.

      Agora, desisti. O tal "aposte no cabelo curto e fique linda" não funciona direito aqui. Talvez eu não tenha ido ao lugar certo, claro. O fato é que, depois de tantas tentativas e frustrações, resolvi apelar. Pode ser que com um pouco de sorte, eu fique com a cara da Meg Ryan naquele Cidade dos Anjos que gostei tanto. Ou, com um pouco mais de sorte ainda, quando o crescimento estiver mais "evoluído", eu acostume com a ideia, passe a gostar, aprenda a conviver amistosamente com ela e até saia por aí, torcendo que faça bastante vento pra poder copiar aquela pose da Gisele Bündchen na propaganda da Pantene.

       Mas cabelo nunca cresce com a velocidade que a gente gostaria. E mais, ele parece fazer de propósito em estacionar naquele ponto onde não se encontra nenhuma solução estética! Por enquanto, tá complicado. O gel já não funciona, os grampos e presilhas ainda não seguram "a onda", as tiaras não têm habilidade suficiente para fazer milagres e a força da gravidade não está atuando como deveria. Mas como tudo nessa vida tem lugar e hora pra tomar jeito, estou, aflita e impacientemente, apostando nisso!

        Claro que sempre existem compensações: há alguém aqui que está vibrando com a novidade! Um verdadeiro fissurado por louras, longas e crespas madeixas que está empolgadíssimo com a ideia e não mede esforços pra ajudar a superar essa fase de crescimento multidirecional que tem se refletido tão impiedosamente em meu espelho.

     E é desse jeito, entre estímulos e dúvidas, esperanças e desesperos, que sigo tentando essa façanha, pedindo aos anjos (que têm vastíssima experiência em cabelos enroladinhos e conhecem todos os truques para apresentá-los sempre impecáveis e bonitos), que me mantenham firme e forte nesse propósito. Que não permitam recaídas e me tragam os louros (e crespos) da vitória! E que, por favor, façam esse imensurável e insólito esforço valer a pena.


Helena Chiarello

Foto minha: 2 anos depois.. rsrs


12 comentários:

Ana Paula disse...

Os cachinhos dourados alados vão sim lhe trazer os louros e crespos da vitória! Coincidência ou não, eu estou no caminho inverso ao teu! Beijos

Su disse...

Como eu adoooooro te ler! Muito bom, dei muita risada aqui com as "sutilezas" da situação! Helena você é incrível mesmo, consegue colocar um humor fantástico na história toda. Sabe que esse mal é generalizado, pois desde que vim de SP, até hoje sofro com os cabeleireiros daqui também. E pior, semana passada fui cortar o cabelo e odieiiiii, simplesmente sai do salão com vontade de gritar! A mulher repicou meu cabelo que é super liso, ficou um espeto! Ainda bem que posso prender fazendo um rabo, mas meu consolo como você disse, é que ele cresce... E para o bem geral da nação, os maridos adoram um cabelo comprido! Não entendo isso!rs
Mas estarei aqui na torcida para que seus grampos, tiaras, presilhas, etc... passem a funcionar em breve nessa fase tão difícil, que é quando não tá nem curto nem comprido... Ah! E quando crescer quero ver uma foto deles aqui!!!rs
Beijos amigamada!
Bom feriado!
Te adoro!
Su.

Ivani disse...

Ai Helena que delicia de texto, estava morrendo de saudade de seu bom humor e suas tiradas ótimas!
cabelo crespo é mesmo complicado, mas eles ficam lindos quando crescem.
a pediatra de meus netos os tem crespos e louros.
eu sou fã dos cabelos dela, sempre soltos e enroladinhos.
dá um ar de liberdade, de displicência, sei lá, adoro!
Vai colocar foto pra gente ver né? vou esperar em?
foi muito bom ler seu texto, você escreve de uma maneira muito gostosa, como se fosse um bate-papo no portão.
beijos querida, bom carnaval por aí.

Leninha disse...

Helena querida,

MARAVILHA!!!Ver você de volta ë uma verdadeira delïcia(mesmo assim usando a trema ä guisa de acento agudo e crase).Como fiquei feliz ao te rever aqui!!!

Quanto aos cabelos...sei bem do que fala,pois a menina dos cachinhos(negros)da infância deu lugar a uma menina de tranças,para domar a cabeleira indomävel e,mais tarde a uma adolescente que fazia "touca"para tê-los lisos ou passava a ferro para remover os malfadados cachos.Mas,com o advento da moda hippie,nos anos 60,ela jä casada,aderiu aos cabelos ä Gal Costa para desespero da tradicional famïlia mineira do marido.Um dia postarei as fotos.
Mas,como toda histöria tem um mas,ela se cansou e resolveu copiar Elis e tosou o cabelo.
Atë hoje,amiga,mantenho o cabelo bem curtinho,mas se fossem cachinhos dourados como os seus,eu os deixaria enormes,encaracolados,livres e soltos.Espere com calma,passe gel,prenda,mas espere,vai valer a pena...e o amigo Barba vai gostar das madeixas,në mesmo(ponto de interrogação).
E,tambëm quero ver as fotos...


Bjssssss,minha querida,
Leninha

manuela barroso disse...

Helena!!!
És o máximo!
Que pena só agora te ver,! Ando numa corridinha...
Se te disser que me fizeste rir a valer, ao ler as tuas aventuras...
Como te entendo! Olha, enquanto o teu´cabelo é atrevido, o meu escorre melado, longamente liso. E se tivesse o negro da noite como reflexos nos ombros...mas não! Pingam! E se folheio a revista dizendo quero este corte...cada vez que vejo a tesoura já me arrepio. E no meu perímetro já esgotei as hipoteses...O que vale é que ele cresce, para nova experiência. Um dia, depois de secar, estavam a compor uns fios geométricos na testa...saio de mim...e desfaço a arquitetura. A empregada ficou a olhar, paguei e não voltei. Sei o sufoco! Que bom ler-te querida! Vá... conta mais!..:)))
Um terno e grande abraço, querida!

✿ chica disse...

Rss....Muito legal,Helena!Sabes, que cada vez que penso em ti é com a carinha linda do perfil..
Devias colocar agora, mais compridinhos...Quero ver!

Tomara cresçam logo e nessa fase é fogo!

Mas vai ficar legal! Enquanto isso nada como rabinhos...


E tenho certeza, com toda torcida, vais ficar linda, esvoaçando os cachos dourados por onde passares e daí...alguém vai ficar com ciúmes de tanto te olharão,srrs beijos,tudo de bom,chica

Leninha disse...

Recado de Marilda,

O seu cabelo curtinho,cheio de cachinhos ë a coisa mais linda e meiga que jä vi...vä atë a sua cidade,uma vez por mês e corte com sua fada cabelereira...não ë que cabelos longos não sejam bonitos,mas um cabelo curtinho ë tudo de bom,não dä trabalho e ë prätico,tä sempre arrumado.
Bjsssssss,

Anne Lieri disse...

Ai Helena,morri de rir dos nomes dos cortes que inventou!...rsss...meu cabelo tb está na fase de presilhas...é um saco,acho que vou cortar um pouco!Mas adoro cabelos compridos!E vc é linda e vai ficar mais linda,tenho certeza!Bjs e boa semana pra vc!

Elisa T. Campos disse...

Até que enfim, Helena

Esse feriadão valeu a pena. Sempre me encanto com o seu humor na mais deliciosa escrita.

Ah..se essa cabeleireira pudesse enrugar ou encaracolar os meus cabelos tão lisos e escorridos já me daria por satisfeita ,mesmo que o corte deixasse a desejar.

Mas acho que qualquer cabelo te deixa linda.

Beijusssss

✿ chica disse...

Helena, voltei pra agradecer o carinho e torcida. Vamos que vamos...Iniciaremos na segunda feira e s'imbora, com fé!!!

E os cabelos, crescendo bem?srrs beijos e tuas palavras lá foram lindas!

manuela barroso disse...

Hoje, aqui, venho dar-te aquele abraço, agradecendo a Deus por me ter dado a conhecer uma amiga encantadoramente feminina e linda
E dar os parabéns de dia de mulher!
Aquele abraço na alma, minha queridaamigaHelena!

Anderson Fabiano disse...

Stella Mia,

E, de repente, o mundo inteiro ficou sabendo que adoro um cabelinho "tonhom-nhom". rsssss

E, mais uma vez, aquela história da "galinha da vizinha estar mais bem recheada" está valendo.

Quando não nos conhecíamos, você vivia sofrendo com suas "desgovernadas" madeixas.

Um dia, você pelou tudo, criou uma marca registrada e nos conhecemos.

Aí, você descobriu que existia alguém nesse mundo que adoraria ver você na versão "anjo barroco" e começou sua epopeia pelos salões blumenauenses. Mas, você não conhecia a força de minhas preces. rsssss Resultado: Ninguém acertou!

IABADABADÚ! Você decidiu, "na marra", deixar o cabelo crescer. E quer saber, amor? Tá ficando uma gracinha!

Ah! Se eu houvesse conhecido você ali pelos 20 ou 30... rssssssssssss

Amo você, Poetinha!
(Com qualquer cabelo), mas, se puder ser "tonhom-nhom"...

Barba