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29/01/2010

Eu sei, talvez...

Foto: Helena Chiarello - arquivo pessoal

É lenta a força que me leva adiante a tentar desfazer os dias, as palavras e os gestos, a desejar não me ferir mais uma vez nessa esperança em ruínas, a tentar esquecer de vez o custo, o peso e a agonia desse meu passo cansado de percorrer o amor de forma tão sincera, cuidadosa e vulnerável.

Mesmo assim insisto e vou, a disfarçar os tropeços e a tentar não me deixar abater pela certeza de que sempre haverá o espanto, a brisa fria das verdades tecidas, a propositada investida das vozes agudas a emudecer a minha e a espraiada ironia dos risos fáceis a apagar o meu.

(Se ao menos eu pudesse derramar sobre a razão, gota a gota, essa sensação que me faz covas no peito, talvez conseguisse, ainda uma vez, desenterrar a alma.)

Eu sei, talvez, que como o tempo, tudo passa.

Eu sei, talvez, que é só por hora que permaneço aqui, na estridência desse silêncio, a desviar os olhos dessa clareza cortante, a fingir que há um lugar onde os instantes se apagam e toda a memória adormece.

Mas e a dor, como se esquece?


Helena Chiarello
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8 comentários:

HEITOR disse...

Os caminhos do amor devem ser percorridos de forma sincera e cuidadosa por ambas as partes. Se for assim, jamais estará vulnerável!
Sua determinação de seguir em frente certamente está sendo guiada por uma esperança que o coração preserva, porque tem por missão e meta buscar e encontrar a felicidade.
Que nenhuma voz emudeça a sua e nenhuma ironia lhe apague o sorriso!
Repito, sem sua dúvida, que COM CERTEZA, como o tempo, TUDO passa! E isso inevitavelmente inclui a dor.
Excelente como sempre, Lenna!
Um abraço afetuoso e meu desejo que o REVELLAR retorne breve.

Beijo, Troiana.
HVillaS.

Triste Flor disse...

Saudades infinitas rs, Hum precisamos conversar, sim o tempo é nosso melhor amigo, ele faz esquecer as paixões, as dores, e nos dá condições de seguir em frente, traçar metas, dar novos passos, a dor, ela rasga o coração, mas tbm cicatriza, fique bem. amodoroooooo muitão.

Anderson Fabiano disse...

careca,
toda a certeza do "eu sei" escapa pela nesga deixada pelo "talvez", porque "sempre" e "nunca" não existem.
e, quando se vai em frente, com passos lentos, temos mais tempo pra admirar o derredor e permitir que as melhores verdades flutuem, voltem a tona da realidade, afogando, de vez, as fantasias absurdas com que nossas almas aturdidas com ecos do passado, insistem em nos confundir.
uma vez mais, me rendo a essa sua incrível capacidade de exalam leveza mesmo em textos tão densos.
com meu carinho,
te beijo, então.
barba

Anderson Fabiano disse...

-m+r
rsrs

Anne Lieri disse...

Helena,um texto triste,cheio de saudade,humanizado e lindo!Eu adorei!No seu blog "Revelar" vc não deixou espaço para comentar.É por causa da mudez?Muito diferente e inusitado!Adorei aquela poesia tb!Se puder,visite-me em meu novo blog:NAS ASAS DOS VERSOS.Bjs,

DANTE disse...

Amiga: Não se esquece a dor, mas se prepara corpo e alma para enfrentá-la. E se vence. Um beijo com carinho. Dante

Anônimo disse...

Aqui está minha vida - esta areia tão clara
com desenhos de andar dedicados ao vento.
Aqui está minha voz - esta concha vazia,
sombra de som curtindo o seu próprio lamento.
Aqui está minha dor - este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.
Aqui está minha herança - este mar solitário,
que de um lado era amor e, do outro, esquecimento...

De Cecília.
Carinho, Troiana...

Helena Chiarello disse...

Ainda bem que tudo muda... rs